sexta-feira, 15 de novembro de 2013


PAULO GUSTAVO: MEU ETERNO E AMADO PROFESSOR

Amanhã é o Dia do Professor, e eu queria deixar minha homenagem ao meu professor mais especial e amado, não desmerecendo os outros professores que tive, pois tenho muita admiração por todos e agradeço imensamente por contribuírem para o que sou hoje - também uma professora. Mas esse professor foi o mais importante e especial que tive em minha vida. Apesar de tão pequeno, me ensinou lições maiores que seu tamanho e idade e que levarei por toda a minha vida. Meu Pequeno Professor Paulo Gustavo, que tanto se orgulhava de seus pais por serem professores, e que nos falava a todo tempo que também era um professor e que ia para a escola ensinar e não estudar. Sempre disse a ele que não era professor, que era aluno e que tinha que estudar para ser professor, na verdade eu falava para ele estudar para ser médico, infelizmente sem valorizar sua admiração por nossa profissão. Insisti tanto, que o convenci que iria estudar para ser médico -professor, ele não desistia de ser professor, daí eu falei que podia ser um médico- professor, e a partir daí esse era o seu propósito: ser um médico - professor. Já na Rodovia, antes do crime que tirou sua vida, ele me perguntou: mamãe, amanhã tem aula? Eu respondi que sim, que tinha aula e que tinha que dormir cedo, para também acordar cedo e irmos para a escola. Ele estava em minha sala de aula(1º ano), como aluno assistente. E aí ele continuou: Mamãe eu preciso estudar, que eu vou ser um médico - professor!

Tudo acabou em segundos. O sonho do meu filho de ser professor. Na verdade, hoje vejo que como ele falava que não precisava estudar para ser professor, pois já era, que ia para escola ensinar e não estudar. Tudo isso era verdade, meu filho já era um professor, e nos ensinou muito. Um dia em minha sala de aula, fiquei boquiaberta com o seu perfil de professor. Ele pegou um giz, foi para o quadro, começou a escrever letras e disse: mamãe, mande seus alunos dizerem que letra é essa? E aí foi fazendo várias letras, os meus alunos respondendo suas perguntas, e eu toda admirada mandei chamar Erinaldo, que estava na sala vizinha, para ver seu filho dando aula, ali eu pensei: não tem jeito, meu filho vai ser mesmo um professor! E os poucos dias que foi comigo para a escola, foram assim, ele querendo sempre ensinar, querendo mandar meus alunos se comportarem, voltar para a sala de aula, se saíssem, e a gente lembrando a ele, que ele também era aluno, como os demais, e não professor como queria ser.

Quando brincávamos de escolinha, e eu ou Erinaldo Alves, queríamos ser o(a) professor(a), e ele o aluno, ele não aceitava. Ele era o PROFESSOR. E que professor lindo e inteligente, nos perguntando que letra era aquela do livro, e quando respondíamos, ele elogiava feliz "isso, aluno(a), muito bem.." Essa imagem do meu lindo professor nunca sairá da minha mente, e sei que não fui sua professora e sim sua aluna. Meu eterno obrigada ao meu mestre amado, que me ensinou as mais belas lições de amor e vida. TE AMO PARA SEMPRE, MEU AMADO PROFESSOR PAULO GUSTAVO.
POR QUÊ? PARA QUÊ? COMO?

Por que, para quê e como? Interrogações constantes em meus pensamentos, porém sem respostas. Nunca as encontro.
Por que meu filho teve que partir tão cedo? Ele não tinha o direito de viver mais?
Por que tenho que enfrentar tantas provações? Se é que são provações. Não sou forte o bastante para tantas...
Por que meu filho, apesar de não ter pecados, pois tinha apenas 4 aninhos, teve que sofrer uma violência tão absurda, a ponto de tirar-lhe a vida?
Por que há pessoas que nascem para serem provadas, outras não?
Por quê? Por quê? Por quê?...

Para que eu preciso ser provado como ouro no fogo?
Para que nascemos, senão para sermos felizes? Jó, na sua angústia, disse “seria melhor ter sido um aborto, do que sofrer tanto assim...”
Para que propósito Deus me quer? Se é que Ele tem um propósito em tudo. Eu não poderia cumprir esse propósito com meu filho? Eu seria mais forte.
Para que Deus permite tanto sofrimento para alguns?
Para quê? Para quê?...

Como é que vou fazer para viver sem meu filho, com quem dividi, junto com Paulinha, minha vida durante quase cinco anos? Hoje, 8 meses depois que ele partiu, não consigo ver um futuro feliz sem ele.
Como vou fazer coisas que ele adorava fazer, sem que surja um sentimento angustiante, de saber que meu filho não pode mais fazer aquilo?
Como seguir a vida somente com lembranças e saudades de meu príncipe? Dói demais! É angustiante demais!
Não tenho vontade de nada! Trabalho, faço algumas coisas porque sei que é necessário fazer, mas não por vontade.
A única coisa que eu sei é que Paulo Gustavo não quer me ver, nem a mãe, tristes. Isso tem sido impossível de conseguir nesses oito meses. Estamos na luta para conseguirmos levantar a cada dia, mas não está fácil, apesar de muitos pensarem que não. Estamos tentando nos apegar a Deus para ver se conseguimos conviver com essa dor, com esse fardo tão pesado.
Vamos continuar lutando por justiça, para que o responsável por todo esse sofrimento seja punido pela justiça com rigor. Não que isso vá me deixar feliz, porque infelizmente, não vai trazer meu filho de volta, mas a impunidade aumenta ainda mais o nosso sofrimento, o sofrimento da vítima.
Paulo Gustavo, podem se passar mil anos, o meu amor por você nunca vai acabar!!! Te amo do tamanho do céu!
08 MESES SEM PAULO GUSTAVO

08 Meses sem essa alegria, sem esse carinho. 08 meses de saudade, dor e desespero, por saber que agora será sempre assim, mas um mês se passando, o tempo passando e a dor ficando, sem mudar em nada, parecendo até que tudo aconteceu ontem.

Fiquei com meu pequeno 08 meses em minha barriga, e depois disso só tive alegria. Agora estou vivendo o inverso de tudo, 08 meses sem ele, e sabendo que agora será sempre assim. Não é porque é meu filho, mas nunca vi uma criança tão esperta, carinhosa e que nos transmitisse tanto amor, sei que é por isso que sofremos tanto com sua ausência e não acreditamos no que está acontecendo. Não o vemos mais, nem o ouvimos. Isso é inacreditável, um absurdo! Paulo Gustavo não podia ter nos deixado, ele era tudo para nós. Nosso pequeno amorzinho, neguinho...... nossa alegria.

A vida é mesmo uma caixa de surpresas e nos prega muitas peças, esse ano tínhamos prometido a ele uma irmãzinha e penso que talvez nesses 08 meses, se ele estivesse aqui, talvez já estivéssemos com a irmãzinha que tínhamos prometido, mas nem estamos com ele, muito menos com a irmãzinha tão desejada.
Entender os porquês? não entendemos!
Acreditar que tudo é a vontade de Deus? Muito difícil!

Sempre tive medo de morrer e deixar meu filho sozinho, mas nunca pensei que ele, era quem iria partir primeiro que eu, e que eu ia ter que lutar tanto para conseguir viver sem ele, claro que sempre tive muito medo de perdê-lo, mas nunca me passou pela cabeça que isso poderia acontecer realmente, acreditava que eu iria primeiro que ele, só pedia a Deus para não ser logo e ver meu filho crescer e ser um homem de bem.
A gente não sabe de nada, e nem entende nada! Agora só sofro com tanta saudade (de beijar, abraçar meu filho, vê-lo sorrindo novamente e tantas outras coisas). E é só isso! minha vida agora é assim! SAUDADES DO MEU AMOR SEM FIM...............

domingo, 18 de agosto de 2013

video

ESSA É A RECORDAÇÃO DO PRIMEIRO ANINHO DO MEU FILHINHO CONOSCO. DESDE O DIA 17 DE AGOSTO DE 2008, NOSSA VIDA FOI PREENCHIDA COM MUITO AMOR E ALEGRIA. PAULO GUSTAVO ERA TUDO PARA NÓS. A PARTIR DE 04 DE MARÇO DE 2013, TUDO SE TRANSFORMOU EM PESADELO, PERDEMOS NOSSO FILHO, NOSSA ALEGRIA, NOSSA VIDA. HOJE 17 DE AGOSTO DE 2013, SÓ POSSO CHORAR E RECORDAR ESSES 4 ANOS 6 MESES E 17 DIAS QUE ELE FICOU CONOSCO TORNANDO NOSSA VIDA MUITO FELIZ.

 TE AMO MEU FILHINHO, E TE AMAREI ETERNAMENTE. 

PAULA

PAULO GUSTAVO: MEU FILHO, MINHA MAIOR REALIZAÇÃO.
Meu eterno amorzinho. Não sei como vou conseguir passar seu aniversário sem você. Sofri tanto essa semana pensando em como preparamos cada ano sua festinha, com tanto amor e satisfação. Esses dias percebi que você não vai voltar e que eu não te tenho mais fisicamente. Vi suas fotos e vídeos e sofri tanto, com tanta saudade de te abraçar, pegar na tua mão, como me vi fazendo em alguns vídeos, te protegendo. Não, eu não te tenho mais! Eu não fazer sua festinha porque você não está aqui. Mas quero te dizer, que seu aniversário continua sendo um dia muito especial, foi o dia que você veio ao mundo para nos alegrar, e nunca nos esqueceremos dessa data, desse dia. O dia mais feliz de nossas vidas: 17 de agosto, o dia que você nasceu. Quero dizer que te amo muito e sempre vou te amar. Que tenho muito orgulho de ser tua mãe. E mais uma vez te dizer que fique bem e não se preocupe comigo. Eu tô sofrendo muito aqui sem você, mas não quero de forma nenhuma que você fique triste por isso. Sei que o céu está em festa. Outro dia sonhei você me falando que queria que eu fosse aí, só para ver que você estava bem e depois eu voltaria. Eu dizia que não, não queria ir só ver se você estava bem, queria ir e ficar, ficar com você! Eu não fui, mas tenho certeza que você está bem. Eu só não queria que você tivesse ido tão cedo e sem mim. Hoje estava lembrando do dia que você se deu conta que seu avô( pai do seu pai), não estava conosco, e me perguntou onde ele estava, eu respondi que ele estava no céu, morava lá, e então você falou: Que tal a gente ir lá no céu visitar ele? Eu rápido respondi: Não meu filho, um dia a gente vai, mas agora não, vamos demorar bem muito. Mas você não esperou tanto, e foi sem mim. Por quê?
Lembrei também do dia que eu estava sentada à mesa e você chegou correndo e me falou: Mamãe eu tenho medo de você morrer! Eu não sei porque você me falou isso, na hora fui pega de surpresa e só tentei te acalmar e então falei: Não meu filho, eu não vou morrer, as mães não morrem, não pense nisso, vá brincar! E você voltou correndo para a sala para assistir e voltar a brincar. Eu sei que mentir, muitos filhos ficam sem as mães, mais na hora eu não tive como explicar e fiquei com medo de te deixar preocupado. E no mesmo instante pensei, eu morria de medo de ficar sem você, mas não te falei, eu pensei que era melhor ficar calada e só acreditar que nunca ia te perder. Será que se eu tivesse te falado, você teria ficado comigo? Eu não falei e te perdir, nada adiantou calar, rezar para não te perder. Você foi sem mim, e agora sofro para tentar viver sem você. Perdoa-me por está assim. Te digo de novo e sempre direi que te amoooooooooooooooooooooooooo muito e te desejo um aniversário de muita luz e amor. Eu te amoooooooooooooo, meu filho querido, fica bem!
Sua mamãe que te amará eternamente e te agradece por cada segundo de alegria que você nos proporcionou.

 

 

Meu amorzinho, amanhã é seu aniversário. Hoje e nesses últimos dias pensei e sofri muito lembrando como seria tudo se você estivesse aqui, estaríamos trabalhando e nos divertindo muito, preparando sua festinha, e dessa vez com o tema: Homem aranha ( como você já tinha me avisado) e no dia 17/o8, pois é um sábado e nos outros anos nunca caiu em final de semana, então sempre tinha um bolinho no dia e a festinha depois. Eu costumava dizer que seu 5º aninho seria sua passagem de meu bebezinho para meu rapazinho, mesmo você já brigando que não era mais bebezinho, já era um rapazinho. Meu rapazinho lindo e amoroso, te amo tanto, como queria você aqui comigo. Que falta você me faz. Que saudade da sua alegria, do seu amor........do seu abraço e do seu beijinho gostoso. Mamãe te ama muito, muito, muito...........Que seu aniversário seja de muita festa aí no céu, queria muito poder te beijar e te desejar FELIZ ANIVERSÁRIO, não posso, mas sei que você está sentindo todo meu carinho e amor. Te amo eternamente....................

17 DE AGOSTO - ANIVERSÁRIO DO MEU PRÍNCIPE

"Amanhã, dia 17/08/2013, o céu estará em festa e a terra em tristeza. O céu estará em festa porque com certeza meu pequeno anjo Paulo Gustavo, que amanhã faz 05 (cinco aninhos) está lá, com os seu irmãozinho Paulo Gabriel e os outros anjos. Em festa porque meu Paulo Gustavo sempre foi a festa personificada. Onde quer que estivesse, com quem estivesse era uma alegria só!
Aqui na terra, (falo por mim, Paulinha e nossos familiares e amigos e amiguinhos de Paulo Gustavo) estaremos tristes pela falta que sentimos dele aqui conosco, pela alegria que seria o dia de amanhã (seu aniversário – o mais importantes de todos), com a arrumação da festa, dos salgados e docinhos e da festa de aniversário em si, na qual ele se divertiria muito.
Estaremos tristes porque você foi tirado dos nossos braços tão bruscamente, sem chances de defesa, por um ser que se diz humano, mas que não respeitou a vida humana.
Meu querido filho, gostaria muito de te dizer que estou feliz, alegre por seu aniversário, mas infelizmente não posso te dizer isso, porque passarei essa data sem a sua companhia física, sem o seu sorriso, sem o seu abraço, sem poder te dar o presente que você gostaria de receber, de ver a sua alegria ao ouvir de mim um “Eu te amo”.
Seu nascimento, em 17/08/2008, foi para mim o maior presente que eu poderia ter recebido. Você nos trouxe tanta felicidade, que a dor que sentimos hoje, é a falta dessa felicidade que você nos proporcionou enquanto esteve aqui. Acompanhar seu crescimento, seu aprendizado, suas primeiras palavras, enfim tudo em você, nos fez feliz.
Só posso te dizer que EU TE AMO! EU TE AMO! EU TE AMAREI ETERNAMENTE. Você será meu eterno príncipe! Daqui do coração de seus pais você nunca sairá. Daqui ninguém poderá te tirar!
Estamos tentando viver porque sabemos que você nos quer ver de pé, estamos tentando viver para não te decepcionar, estamos tentando viver para fazer JUSTIÇA, estamos tentando viver... mas não está fácil. Os dias passam e a saudade aumenta. A tristeza persiste. Pedimos sempre a sua intercessão, meu anjo, junto a Deus para que ele segure a nossa mão e não nos deixe desmoronar. Um dia – tenho fé em Deus – vamos nos reencontrar para matarmos toda a saudade acumulada em nossos corações".

sábado, 10 de agosto de 2013

Por Welder Ban | as 07:43 | Data 4 ago 2013 | Você está em: N. Sra da Glória

Pais de Paulo Gustavo se engajam no Movimento Não Foi Acidente

Passados 5 meses da tragédia que tirou a vida do pequeno Paulo Gustavo, seus pais não conseguem aceitar que tenham perdido o filho pela irresponsabilidade de um caminhoneiro, que estava em alta velocidade e que não respeitou as leis de trânsito e nem a vida humana, pois além de tirar do convívio familiar uma criança cheia de vida, se evadiu do local e não prestou socorro às vítimas.
Erinaldo e Paula (seus pais) se engajaram então em vários movimentos que buscam mudanças nas leis de trânsito, nos crimes considerados “culposos” no trânsito, que visam o aumento das penas, pois é inadmissível que pessoas matem no trânsito e, muitas vezes, saiam impunes, como se nada tivesse acontecido, como se a vida não tivesse nenhum valor. Muitos condenados por homicídio culposo pagam a pena apenas com cestas básicas ou com a prestação de serviços comunitários. Para os pais de Paulo Gustavo, a vida do seu filho não tem preço.
paulogustavo-2

 Um dos movimentos em que eles se engajaram é o NÃO FOI ACIDENTE. No dia 28 de julho em São Paulo, o movimento, representado por pais que perderam seus filhos em crimes de trânsito, realizaram um protesto com o título “Justiça Demorada é Justiça Negada”. A Rede Bandeirantes fez uma reportagem do protesto no programa CQC. Nele alguns pais que estavam presentes na manifestação falam da dor de perder os filhos e ainda ver os culpados livres como se nada tivesse acontecido. No final da reportagem, foi apresentado um vídeo com algumas vítimas de trânsito, e a foto do Pequeno Paulo Gustavo, é a primeira desse vídeo. Ele foi vítima de trânsito no dia 04/03/2013, no percurso entre a cidade de Nossa Senhora da Glória e Monte Alegre de Sergipe.
Erinaldo e Paula fazem um apelo a quem puder assinar a petição que o movimento Não foi Acidente vem encabeçando, (um projeto de lei de iniciativa popular para a mudança da lei de trânsito), que inclusive já está no Congresso, mas precisa ser apreciado e votado pelos nossos políticos, PL 5568/2013. Para que seja agilizada discussão e votação, precisamos de mais assinaturas. Precisamos que acessem o blog do movimento (www.naofoiacidente.org). Podem assinar todas as pessoas a partir de 16 anos que votem. Para ver a reportagem do CQC da BAND, clique no link abaixo.
Confira a reportagem em: http://cqc.band.uol.com.br/videos/14612071/oscar-filho-acompanha-protesto-contra-motoristas-embriagados.html

sexta-feira, 28 de junho de 2013

MEU INDIOZINHO LINDO COMEMORANDO O SÃO PEDRO

E o dia de São Pedro ano passado foi na Ilha de São Pedro (Aldeia Xokó). Lugar que meu pequeno Paulo Gustavo (nosso amado indiozinho) tanto gostava e tinha um carinho muito especial , acho que pela liberdade que sentia lá, por poder brincar na terra sem ser recriminado, pois tinha a Tia Naná que dizia: deixa ele brincar! e lá ia ele com os(as) primos(as) encher seus carrinhos de areia e alegria. Lá também tinha o ÍNDIO(ESTÁTUA), que ele fazia sempre questão de se aproximar e pegar na cobra aos seus pés. Quando eu dizia "é uma cobra" Paulo Gustavo, ele falava: é de brincadeirinha, mamãe.... e queria que eu também me aproximasse. E o RIO? O rio nem se fala, ir na Ilha de São Pedro e não se banhar no rio, era como se ele não tivesse ido lá. Então nem adiantava inventar história, podia está chovendo (e até aconteceu isso ano passado, mas depois São Pedro, ajudou e mandou um solzinho) ou fazendo sol, a gente tinha que levá-lo ao rio.
E era uma alegria só, e briga para voltar para casa. Dias da gente trazer ele chorando, pedindo para ficarmos mais um pouco. Aí Tia Naná conversava com ele, e conosco, fazendo-nos prometer levá-lo lá em breve, e assim ele vinha, não muito satisfeito, mais vinha, tinha que vir. Não tem como não chorar, nem como não me revoltar lembrando de tudo isso, de como meu filho era feliz, e agora tudo acabou. Sei que se estivesse aqui, hoje estaríamos na Ilha de São Pedro, mas sem ele, eu não consigo nem me imaginar voltando lá. Um dia acho que vou conseguir. Apesar de ouvir que eu tenho que continuar fazendo o que ele gostava, ainda não dá, não consigo. Sei que meu filho está bem, está feliz, e é o anjo mais lindo lá no céu, e tenho certeza que ele entende o que estou passando e que está intercedendo por mim e por seu querido pai, assim vamos continuar lutando por JUSTIÇA, e um dia também ficaremos bem.
  
 


AS FESTAS JUNINAS ERAM UMA ALEGRIA SÓ

Hoje é véspera de São João, mais uma data de muitas recordações, lembranças do meu pequeno super animado com a fogueira e as chuvinhas. Os fogos ele não gostava, pois ficava assustado com o barulho e nem de traques, mas as chuvinhas sim,ele ficava encantado, acho que pelas luzes, pela alegria que representam e para ele era uma festa. No ano passado, Erinaldo comprou uma chuvinha enorme (que na verdade poderia dizer chuvona) mas não sei o nome, sei que essa chuvinha nos fez passar um susto enorme, pois Paulo Gustavo, pegou ela, sem percebemos ( eu estava no quarto terminando de me arrumar para irmos com ele para casa da minha mãe e da minha sogra), Erinaldo tinha ficado com ele soltando chuvinhas do lado da fogueira. Eles entraram para ver se eu estava pronta e o portão ficou aberto. Paulo Gustavo, aproveitou que Erinaldo foi na cozinha e saiu de fininho com a bendita chuvona e foi acender na fogueira, por sorte ao acender, ela saltou de sua mão e não o machucou. Só ouvirmos o grito dele assustado e o barulho da bendita. Foi um susto tão grande, saí do quarto correndo, gritando pelo seu nome, com o coração disparado e a mente a mil, pensando como estaria meu filho. Encontrei-o na sala, que também vinha correndo, super assustado e pulou nos meus braços, pedindo proteção. Foi um alívio abraçá-lo, vê-lo bem. Erinaldo também vinha correndo da cozinha à procura dele. Então depois de vê-lo bem, perguntamos o que tinha acontecido, quando ele nos falou que foi a chuvona, fomos para a calçada e lá estava ela, já apagada. Fizemos ele prometer que nunca mais faria isso, tentar soltar chuvinha sozinho, pois nem as pequenas deixávamos ele acender só,pior a grande. E na verdade, pensamos em nunca mais comprar chuvinhas daquele tipo, pois foi um terror pensar em nosso filho machucado, respiramos aliviados ao vê-lo bem. Hoje acordei, e essa lembrança me veio logo a mente, pensei nesse susto para todos nós, e como foi bom abraça-lo, acalmá-lo e dizer que estava tudo bem, lembro como ele estava tão assustado, mas deu tudo certo. Hoje acordei lembrando com tristeza que não teria chuvinha, nem chuvona, pois meu filho não está mais comigo, hoje num dia que seria tão alegre para ele. Ele não está mais para soltarmos chuvinhas com ele, e vermos seus olhinhos brilharem felizes vendo as luzes das chuvinhas. E eu queria esquecer essa data, não acendemos fogueira como nos outros anos (um vizinho veio nos perguntar se não queríamos que ele dividisse a dele, para montar a nossa, agradecemos sua atenção e falamos que não, preferimos não acender). Fica impossível não lembrar que é São João, até porque ouvimos o barulho dos fogos, os sons ligados, e a fumaça das fogueiras entrando na nossa casa. Mesmo assim continuo tentando esquecer o dia e preferi nem sair na porta e ver as fogueiras acessas e as crianças com suas chuvinhas, assim tento sofrer menos. Só vim para as fotos que não amenizam minha tristeza, mas me fazem lembrar da alegria do meu caipira que todo ano, eu fazia questão de providenciar sua camisa xadrez e seu bigode de caipira, para comemorarmos o São João. Meu eterno amorzinho, mamãe te ama muito!!!!!!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

PAULO GUSTAVO, TE AMAREMOS PARA SEMPRE E LUTAREMOS POR JUSTIÇA!

Sempre ao acordar, a cada amanhecer, enfrento um desafio. Respiro fundo várias vezes e tento achar forças para levantar e conseguir sobreviver a mais um dia sem meu Paulo Gustavo. Hoje, ao abrir os olhos e ver que já era dia, lembrei como Paulo Gustavo ficava feliz quando via o claro do dia e me acordava dizendo: "Mamãe, já é dia, vamos levantar!" Às vezes eu dizia: "vamos dormir mais um pouquinho", mas não tinha jeito, ele queria logo levantar, ir para a TV, assistir, ou pegar um brinquedo para brincar (principalmente se fosse um brinquedo novo), que, às vezes, à noite ele não queria parar de brincar e ir dormir. Quando o convencíamos, ele ia dormir, mas ao acordar era a primeira coisa que lhe vinha à mente e ele já ia lá, correndo,buscar o tal brinquedo.
 













Sua alegria e energia para viver, aproveitar cada segundinho da sua vida, foi sempre muito visível. À tarde, depois do almoço, eu falava: Paulo Gustavo, vamos dormir um pouquinho? E ele me dizia: "Eu não gosto de dormir". E eu dizia: ele não quer perder tempo. Hoje, ao lembrar de tudo isso, sei que ele realmente não perdeu tempo, aproveitou intensamente cada segundinho de sua linda vida, mas sei que se ele tivesse tido chances de escolher, iria escolher ficar aqui, fazendo tudo o que ele gostava de fazer.



Tenho muita revolta, sim, dentro de mim, pois meu filho foi privado de continuar vivendo, brincando, amando,... por um "ser humano" irresponsável. Se a atitude daquele maldito ser, fosse de responsabilidade, meu filho continuaria aqui conosco.

Meu primeiro bebê também partiu cedo, mas foi de forma natural. Na época, pensei que iria morrer com tanta dor, fiquei muito tempo sem razões para viver. Mas, ao nascer, Paulo Gustavo me trouxe novamente alegria, esperança, vontade de viver. E eu o protegia tanto, como amava e cuidava bem do meu pequeno. Só que não consegui protegê-lo daquele maldito caminhoneiro irresponsável, imprudente e sem respeito à vida humana. Ele não me deu chance nenhuma de proteger meu filho. O caminhoneiro foi um covarde, que nos atingiu pelas costas. Não estava preparada para essa situação. Eu ainda vi o maldito caminhão vermelho se aproximando rapidamente do nosso carro. Às vezes, penso porque não gritei para meu esposo jogar nosso carro para fora da pista, mas não tive tempo, até porque quando vemos um carro atrás, imaginamos que vai ultrapassar quando for possível, ou aguardar o momento correto e nunca que ele vai querer passar por cima, mas foi o que o caminhão vermelho fez, passou por cima da minha família e matou meu filho! Eu perdi meu filho! Perdi meu único filho novamente!  E sei que não mereço isso! 

Tento não enlouquecer com tanta dor, pois vi meu filho morrendo (isso não sai da minha cabeça). E quem o matou e me fez presenciar a cena mais horrível da minha vida e sentir a dor mais cruel que uma mãe pode sentir, foi um caminhoneiro irresponsável. Vou lutar por justiça! Vou lutar por leis mais rígidas, que punam com rigor quem comete crimes de trânsito.

Meu filho, Paulo Gustavo era a criança mais linda e feliz do mundo, e não merecia uma morte tão violenta, nem ser ceifado do convívio familiar que tanto o amava e que ele retribuía esse amor tão intensamente. Agora, vivo esperando que a justiça seja feita.

Que a justiça seja feita e esse caminhoneiro pague pelo crime que cometeu, para que não destrua outras famílias como destruiu a minha. JUSTIÇA! É O QUE PEÇO!!!! 

terça-feira, 4 de junho de 2013

Pais de criança vítima de "acidente" trágico, pedem justiça

(Publicado no portal www.maisgloria.com.br)

4 jun 2013 | 09:02 |



Conforme ocorrido do dia 04/03/2013, (Veja o link para a notícia: http://www.maisgloria.com.br/crianca-morre-em-acidente-proximo-povoado-sao-clemente/) onde um garoto foi morto vítima de acidente, pais da criança enviam texto ao Mais Glória, inconformados com o ocorrido. Abaixo, carta dos pais da criança via email:

Foto
Hoje, 04/06/2013, faz três meses que perdemos nosso único filho, Paulo Gustavo Alves de Melo, de apenas 04 anos. Perdemos nosso filho pela imprudência de um caminhoneiro que bateu na traseira do nosso carro.

Além da dor de ter perdido o filho que tanto amávamos, cuidávamos e protegíamos, ainda temos que conviver com a dor de boatos e notícias que nos culpabilizam pelo o que aconteceu. Desde o ocorrido em 04 de março de 2013, ainda não tínhamos tido coragem de ler as reportagens feitas sobre o “acidente”, só nesse final de semana nos encorajamos para tal e o que lemos nos entristeceu ainda mais e nos deixou revoltados e indignados pela versão publicada na maioria dos sites e blogs que noticiaram o acontecimento. Versão que difere do que verdadeiramente ocorreu. Por isso, nós os pais de Paulo Gustavo queremos esclarecer como tudo realmente aconteceu.

Naquele dia, 04/03/2013, por volta das 15h, vínhamos eu (Pai de Paulo Gustavo e motorista do veículo), minha esposa, sogra, cunhada e meu filho da cidade de Aracaju com destino a nossa residência, no Pov. Lagoa da Volta em Porto da Folha – SE, quando, na rodovia Glória – Monte Alegre, nas proximidades da Casa do Doce, avistei de longe (assim que despontei na ladeira), uma aglomeração de pessoas na pista em ambos os lados. Nesse momento, fui reduzindo aos poucos a velocidade do meu carro – modelo Fiesta sedan – para poder passar pelas pessoas, atitude que todo motorista consciente tem ao perceber um aglomerado de pessoas em meio ao asfalto. Após passarmos pelas pessoas, voltei a acelerar o carro, seguindo viagem. Já um pouco distante do local da aglomeração, olhei pelo retrovisor e percebi o caminhão vermelho, em alta velocidade, muito próximo do meu carro. Em fração de segundos já senti o IMPACTO NA TRASEIRA, que culminou na MORTE DE MEU FILHO, PAULO GUSTAVO e lesões nos outros ocupantes do veículo.

Sempre dirigi com responsabilidade, inclusive todos do carro estávamos usando cinto de segurança e nosso filho na cadeirinha, com cinto, como mandam as normas de segurança no trânsito. Contudo, o MOTORISTA do caminhão parece desconhecer tais normas e sua IMPRUDÊNCIA MATOU MEU FILHO E DESTRUIU NOSSA FAMÍLIA. Não podemos aceitar que foi um simples acidente. Pra gente o que aconteceu foi um CRIME (sei que a justiça é quem vai apurar e julgar, mas acreditamos que ela vai fazer esse caminhoneiro – que fazia o transporte de leite para uma empresa da região – pagar pelo que ele fez). Sei que acidentes acontecem, mas a partir do momento que O CAMINHONEIRO NÃO RESPEITOU AS LEIS DE TRÂNSITO, ao não reduzir a velocidade ao perceber a aglomeração de pessoas na rodovia – pois o local era de boa visibilidade – não manteve a distância de segurança em relação ao nosso veículo, ele assumiu a responsabilidade de matar alguém. Cadê a direção defensiva? Não entendemos o porquê dele não ter nos ultrapassado, pois não vinha nenhum veículo na direção contrária. Além de causar tal violência, ressaltamos que O MOTORISTA DO CAMINHÃO FUGIU do local e NEM SE IMPORTOU EM PRESTAR SOCORRO ÀS VÍTIMAS.

Nós, pais de Paulo Gustavo, imbuídos de dor e de desejo por justiça, queremos fazer um apelo às autoridades competentes para que fiscalizem essa rodovia (Glória – Monte Alegre), pois é inadmissível que numa rodovia sem curvas e trechos perigosos aconteçam tantas mortes no trânsito.

Queremos também pedir às pessoas que lembrem que somos seres humanos, portanto, quando estiverem ao volante, lembrem de respeitar o próximo e de socorrer quando for preciso, pois até hoje minha esposa está indignada ao lembrar que correu para a rodovia com meu filho nos braços, sangrando, e ela gritando por socorro e via que pessoas paravam não para ajudar, mas apenas para curiar e alguns se recusaram a dar socorro. Queremos deixar um agradecimento ao casal que levou minha esposa e meu filho ao hospital de Nossa Senhora da Glória, que apesar de não ter conseguido salvar meu filho, fizeram tudo que puderam para ajudar, ao Senhor que me levou ao hospital, e também aos que ficaram com minha sogra e cunhada aguardando o SAMU chegar.

Por fim, queremos dizer para toda sociedade que, pela memória do nosso filho, iremos lutar para que a justiça seja feita e para que haja paz e responsabilidade no trânsito para que outras famílias não venham a passar por essa terrível dor que estamos passando.



Erinaldo Alves

Por: Ramon Diego
Escritor sergipano, poeta, estudante de letras português/francês pela UFS, redator do portal e revista Mais Glória, além de revisor e tradutor. contato: (79) 9924 - 3057 ; email: ramon@maisgloria.com.brramon@maisgloria.com.br |
Ver perfil

quinta-feira, 30 de maio de 2013



QUEM AMA A DEUS, NÃO PODE SE SENTIR MAIOR QUE OS OUTROS


Hoje, pela primeira vez depois do acidente que tirou meu filho de mim, vim de Aracaju para Lagoa da Volta, passando pelo mesmo percurso que fizemos naquele dia maldito. Foi horrível. Dei graças a Deus por chegar em casa bem, mas sofri tanto, imaginando e questionando por que naquele dia deu tudo errado? Não conseguimos chegar em casa com nosso filho. Isso é um horror!

No percurso, vi muitos caminhões passando por nós, e li algumas frases em seus para-choques, como: "Sem Deus, sem chances", "Deus é mais", "O bom é Deus", etc., outros com nomes, acho que dos filhos, não sei. Mas me surpreendem essas frases, principalmente sobre Deus. Como acham que Deus é mais, que acreditam em Deus, mas agem de forma contrária aos ensinamentos de Deus? Pois ao não respeitar e amar o próximo e sair por aí matando pessoas, usando o caminhão como arma poderosa, na verdade querem ser mais que Deus.

 

Antes até gostava de ler esses para-choques e acreditava que os caminhoneiros eram pessoas de fé e trabalho árduo. Agora, penso diferente. Não quero aqui generalizar, sei que no meio do todo, existe sim, homens bons. 

Recebi um comentário de um anônimo, demonstrando isso, que seu irmão era caminhoneiro e morreu pela irresponsabilidade de outro. Vejam:

"Nossa, eu só posso pedir a Deus pra acalentar vossos corações, sei o qto é dificil, estou com um nó na garganta. Eu também perdi meu irmão querido, no dia 26/03/13. Ele era caminhoneiro e estava vindo de São Paulo, e em lugar proíbido outro caminhoneiro estava ultrapassando e acertou ele de cheio. Pra se ter ideia de como foi terrível o caixão estava lacrado. O meu lindo de 29 anos. Menino querido, responsável um anjo. Saiu pra trabalhar e um maldito irresponsável nos tirou ele. Nós tentamos nos levantar mas tá difícil a sua falta.E pra piorar fazia um mês q minha cunhada tinha perdido a mãe de um AVC (23/02/13) depois veio a tragédia do meu irmão e agora no dia (04/05/13) ela perdeu o pai também num acidente. Nossas vidas virou em morte. Temos q ser forte pra dar o consolo pra ela. Mas não tá fácil. Tenho vontade de chorar, chorar e chorar e vem pessoas falando q nao podemos, pq senão ele não descansa. Ai como é triste. Sei q tem mtas pessoas sofrendo, mas a dor é mto grande. Só Deus pra ter misericórdia de nós. Fiquem com Deus. Amém"

Fonte:
http://www.espacoangelical.blogspot.com.br/2013/05/depoimento-da-mae-paula-sobre-partida.html


Mas as pesquisas me assustam. Vi ontem no jornal que dos acidentes de trânsito 90% tem envolvimento de caminhoneiros. Por quê? Não está na hora dos órgãos competentes averiguarem isso e começar a fazer algo para mudar essa situação?


Quer dizer, averiguar nem precisa, porque as pesquisas já mostram a realidade: O que faltam são ações para evitar que isso aconteça. Aprovar e aplicar leis mais rígidas e fazer os culpados pagar por seus crimes, senão continuam a cometê-los. Precisamos que homicídios de trânsito sejam julgados pelo código penal, e dependendo de como sejam, como crimes dolosos, e não pelo código de trânsito, que tem penas muito leves.

Não podemos ficar de braços cruzados e vendo famílias sendo destruídas. 

VAMOS COBRAR QUE A JUSTIÇA SEJA FEITA!

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Se nossa vida fosse fácil como em uma novela...

Essa semana, ao iniciar a nova novela das 9, da rede globo, essa frase ronda a minha cabeça. Desde que Paulo Gustavo se foi, era muito difícil assistir à novela das 9: Salve Jorge!, pela música de abertura (no dia do acidente ouvimos muito ela, ele me fez repetir 4 vezes a música). Ela me faz lembrar a sua alegria naquele dia (estava sendo uma viagem muito tranquila, alegre parque íamos para casa). Até que apareceu aquele maldito caminhão vermelho. 

Outra música da novela da qual eu fugia era a de Roberto Carlos "Esse cara sou eu". Paulo Gustavo gostava de cantar essa música, cantou na viagem, e no trecho: esse cara sou eu, apontava o dedinho em sua direção. Ok. não via a hora da novela terminar e não precisar mais eu ou Erinaldo ficar segurando o controle remoto para no momento da abertura mudar o canal e não ouvir a música. A novela terminou. Esta semana começou "Amor à vida". Esses primeiros capítulos tem sido fortes para assistirmos. A história começa falando de uma mulher que perde sua filha (roubada) e de um homem que perde sua esposa de parto e seu filho. O sofrimento dele é enorme, mas de uma hora para outra é confortado com a alegria de achar a menina daquela mulher, numa caçamba de lixo. aí o sentido da sua vida volta, como num estalar de dedos. E a gente assiste a essas cenas, mas elas mexem tanto conosco, porque desejávamos que nossa vida fosse assim, como uma novela: a dor fácil de ser confortada e tudo muito simples de se resolver, mas não é assim. Na vida real é muito diferente, a dor não é confortada tão facilmente assim, pior, no dia do trágico acontecido, já aparecer a solução para tudo. Uma menina, que não era a dele substituiu o outro filho, parece até que o personagem queria uma filho a qualquer custo, não importava se fosse a dele ou não... 

Não é assim tão fácil, e sei porque eu e Erinaldo estamos enfrentando essa dor  (a dor da ausência do nosso amado filhinho) e não passa. Estamos tentando andar, viver com ela dia a dia.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ontem, dia 21 de maio, recebemos via Facebook uma mensagem da nossa amiga Sanádia e fazemos questão de deixar aqui registrado.

PALAVRAS DA NOSSA AMIGA SANÁDIA

Conheci Paula e Erinaldo em Lagoa da Volta e juntos partilhamos sonhos e vida nas ações do grupo de jovens e ao testemunhar o amor deles dois durante essa temporada que vivi por lá. Ao longo dos anos também acompanhei muitas coisas junto com eles: os preparativos para o noivado, a compra da alianças, da televisão, a prova do vestido, a preparação para a liturgia do casamento, enfim, tantas coisas sonhadas e construídas... Mais tarde voltei para a casa dos meus pais em Aracaju e mesmo assim mantivemos o contato. Um dia quando os visitei encontrei Paulinha grávida, era o Gabriel que estava na barriga dela e a felicidade era tamanha por essa espera. Recordo-me do dia que Erinaldo telefonou para dizer que o bebê havia nascido e eu toda feliz o parabenizei, mas em seguida ele me dizia que a criança talvez poderia se submeter a uma cirurgia porque estava c um probleminha no coração. Depois fiquei sabendo que Gabriel não resistiu à cirurgia e veio a falecer. Depois de algum tempo, em outra visita a casa deles, Paula estava grávida novamente e à espera de mais um bebê: desta vez era Paulo Gustavo que vinha ao mundo e mesmo por poucas vezes, conseguia perceber tamanho zelo e cuidado durante o Pré natal e na espera do pequeno. E Paulo Gustavo veio ao mundo, cheio de formosura, como uma luz para os dois e para completar o amor que Paula e Erinaldo construiram ao longo desses anos. Lembro-me de três momentos que para mim ficaram na memória: o batizado do Gustavo, quando Diana e eu fomos a Lagoa da Volta para juntos celebrarmos desta alegria com eles e ao mesmo tempo o seu aniversário de um ano de idade. Quanta alegria! lembro-me que nesse dia comi tanto, bebi tanto da festa do pequeno e foi muito legal; outro momento que me recordo foi quando Paula e Erinaldo levaram Diana lá em casa e estavam com o pequeno Gustavo no braço, tão lindo! mamãe lá de cima da escada ficou admirada com tamanha beleza do menino. Uma outra cena que para mim foi forte aconteceu uma manhã que eu dormia na casa deles e Paulo Gustavo subiu num tamborete ou foi cadeira, não lembro desse detalhe e foi pegar da mão de sua mãe a mamadeira para comer. Tão pequeno e tão espertinho com tão pouca idade. Quando recebi a notícia da tragédia, fiquei sem acreditar, nesse dia me senti tão presa, amarrada, pois queria estar junto a Paula e Erinaldo e justamente nesse dia estava em Brasilia, tinha chegado após dois dias na estrada com a delegação de Sergipe que estava indo ao Congresso da CONTAG. Após a notícia não tinha condições de ficar na abertura de tanto chorar e por imaginar tamanha dor dos meus amigos que precisavam de afago e de um grande abraço de apoio e conforto. A única coisa que pude fazer era me colocar em oração e pedir a Deus que iluminasse a vida dos dois e desse força para eles continuarem a viver, pois desde aquela hora eu já estava totalmente em comunhão. Nunca senti tamanho sentimento, é como se fosse alguém da minha família. Foi uma coisa tão forte!

Após uma semana do ocorrido fui imediatamente vê-los em Lagoa da Volta. Esse processo eu sabia que seria doloroso, mas preciso. Eu sentia a necessidade de estar com eles, de abraçá-los, de dizer EU TÔ AQUI! TO COM VOCÊS E QUERO POR A OUVI-LOS E A APOIA-LOS EM TUDO!
PAULA E ERINALDO, QUE DEUS OS ABENÇÕE E A CADA DIA DÊ FORÇA E ENERGIA PARA REVIGORAR AS FORÇAS DE VOCÊS, MESMO SABENDO QUE A SAUDADE CONTINUARÁ. AMO VOCÊS.

 SANADIA.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

PALAVRAS DE DUAS AMIGAS MUITO ESPECIAIS


Diana e Terlúcia são duas amigas muito especiais, Diana mora em Natal - RN e Terlúcia em João Pessoa - PB. Após a morte do nosso Paulo Gustavo já vieram duas vezes nos visitar, passar alguns dias conosco. Estes dias elas passaram todo o final de semana, exclusivamente conosco. E, antes de ir embora ela, Diana nos deixou estas palavras, e Terlúcia nos enviou via face, e nós gostaríamos de dividir com vocês, leitores, e de agradecê-las pela sensibilidade e atenção que nos dedicam. Eis as mensagens:

Erinaldo e Paula

"Tem uma coisa que eu sinto e quando, mesmo distante ou perto, aproxima deste momento da vida de vocês. Não sei procurar palavras, orações ou outra coisa para justificar este momento, mas acredito no jeito de ser de vocês, uma força de vida chamada amor. desculpem-me por expressar assim este momento, de ser uma presença distante e perto, de não ter palavra certa no momento solitário de vocês, mas vejo uma energia desta força amor em duas pessoas que olham, escutam, lutam e que sentem raiva e procuram explicações. Acredito no amor que neste momento é força entre vocês, nós e tudo que se faz presença na ausência, dor e lembranças. Não sei se o amor é tempo, vento, água ou luz, crença e sim, a energia de vida vinda de vocês. ela é devagar, lenta, mas produz este instante que não explica, só o amor conduz."

Diana



Para Paula e Erinaldo

Esses dias voltei a Lagoa da Volta, povoado localizado no município de Porto da Folha no sertão sergipano – lugar onde morei e que me acolheu como filha, irmã, amiga...; que criei laços afetivos e ampliei minha família; que conheci pessoas maravilhosas; lugar que me proporcionou ricas experiências... Lugar do reencontro, da alegria, de muitos risos, de caminhadas, de muitas visitas aos/as amigos/as queridos/as...

Mas dessa vez foi diferente, tudo estava diferente... os risos não estavam largos, os encontros menos festivos, as caminhadas com poucos passos, as visitas reduzidas... Lagoa da Volta estava diferente.

Estava diferente por que o motivo que me levou até lá não era agradável, o motivo era a DOR sentida por Paula, Erinaldo e todos os familiares e amigos do lindo, conversador e inteligente PAULO GUSTAVO, que agora não está mais presente de forma física com os seus. Pois Paulo Gustavo agora é uma estrelinha que brilha no céu... foi para lá de modo precoce, de forma brusca pela irresponsabilidade de um caminhoneiro, que bateu na traseira do carro de seus pais e interrompeu sua vida, tirando-o do seio de sua família.

Retornar a Lagoa da Volta mediante essa situação não foi fácil, mas necessário... Paula e Erinaldo, mas que todos os outros que sentem a falta do pequeno Paulo Gustavo, estão com o coração transpassado por uma enorme dor... a dor da saudade, da ausência, da perda, do medo de continuar, da dúvida, do desencanto com a vida...

Fui a Lagoa da Volta para ficar com meus amigos Paula e a Erinaldo e dizer que essa dor que eles sentem eu não sei mensurar, mas que estou em comunhão com eles. Fui por que eu precisava abraçar Paula e Erinaldo e ouvi-los, e chorar junto e silenciar diante desse terrível acontecimento.

Fui com a amiga Diana, por que estivemos, desde muito, presentes em momentos alegres e agradáveis vivenciados e partilhados por Paula e Erinaldo.
Fui por que Paula e Erinaldo precisam sentir que não estão sós, precisam sentir que tem amigos/as, que tem família, que a comunidade está solidária nesse momento.

Fui porque a dor de Paula e Erinaldo é também uma dor coletiva, por que é uma dor causada pela irresponsabilidade de um motorista; pela forma com os carros têm sido usados como armas Brasil a fora fazendo vítimas diariamente e pela impunidade diante de assassinatos ocorridos no trânsito que tem deixado mães, pais, avós, tias, tios, irmãs, irmãos e amigos sofrendo a perda de um ente querido.

O tempo de permanência em Lagoa da Volta foi curto, mas importante para fortalecer a nossa amizade e reafirmar que estamos em comunhão.

Foi difícil chegar em Lagoa da Voltar ver a casa vazia e meus amigos em sofrimento, foi também difícil voltar e deixá-los chorando... Mas quero dizer a Paula e Erinaldo o que já disse em outras ocasiões, que Paulo Gustavo era o reflexo do amor, do cuidado, da atenção e do carinho que recebia de vocês cotidianamente.

Sei que o tempo vai passar e que vocês aprender a conviver com essa perda, mas nunca vão se conformar e nem entender por que isto aconteceu. Porém, o AMOR por PAULO GUSTAVO continuará vivo por que o amor não morre, ele é ETERNO.

Fiquem bem!

A amiga de sempre, Terlúcia

quinta-feira, 16 de maio de 2013



DESABAFO EM MAIS UM DIA DE DOR 


QUINTA-FEIRA, 16 DE MAIO DE 2013
Hoje, desde que acordei, a música da Eric Clapton, “Tears in Heaven”, ou "Lágrimas no Céu" em português, que ele compôs em homenagem ao filho que faleceu aos 4 anos, vítima de uma queda do 53º andar de um prédio, não sai da minha cabeça, penso muito na letra dessa música. Fico pensando em cada trecho dessa música e pensando como ela retrata tão bem a dor e a dúvida que todos os pais tem após a perda de um filho. Quero ser forte, aguentar firme e procurar meu caminho dia e noite (como Eric também procurou e retratou nos trechos de sua música), apesar de ser tão difícil visualizar esse caminho e ser extremamente difícil ser forte e aguentar tanta dor.
videoA dúvida fica, sim (a música começa com essa dúvida), se vamos nos encontrar de novo, se eles me reconhecerão, saberão meu nome, mas quero acreditar e vou acreditar nisso: que vou reencontrar meus filhinhos um dia, lá no céu, e lá não chorarei mais, porque no céu não existe lágrimas, só alegrias e eles estão lá, felizes e esperando por mim. E Lá seremos felizes para sempre, como em um conto infantil, estaremos todos juntos e não nos separaremos mais, nunca mais.
Hoje também tentei voltar a cuidar da minha casa, mas isso só fez crescer uma raiva enorme dentro de mim. Eu lavei os pratos, mas Paulo Gustavo não estava aqui, para me ajudar e insistir em enxugar as colheres, quando ele não estava assistindo e eu ia lavar os pratos, ele dizia: mamãe eu vou ajudar... eu quero te ajudar. Subia numa cadeira, pegava o pano de prato e eu dava para ele as colheres, tampas ou vasilhas pequenas de plásticos, o que eu sabia que não iria machucá-lo. E lá estava ele se sentido útil e tão capaz, ajudando a sua mãe. Olhei para a cadeira próxima a mesa onde ele ficava e não, ele não estava lá. Continuei lavando aqueles pratos, mas meu coração doía, doía muito. Como suportar tudo isso? Eu sempre gostei de cuidar das minhas coisas, da minha casa, mas agora, tudo se torna insuportável, tudo é tão pesado, tão triste. Quando acho um brinquedo, um lápis de cor espalhado pela casa, suas bolas, meu coração para um pouco e pergunta: cadê ele? Cadê Paulo Gustavo para brincar com seus brinquedos, pintar com seus lápis de cor e chutar as suas bolas, com tanto gostava? E aí ele dói, dói de raiva, de tristeza, de tanta revolta por não entender essa situação tão surreal, tão difícil de ser encarada e aceita.
Algumas pessoas me perguntam se estou bem. Ou até afirmam, ao perguntar, sem me dar chances de responder: Paula tudo bem.? Penso: Como está tudo bem? Meu 2º e único filho morreu, como eu posso está bem? Eu estou péssima, derrotada e me sinto muito mal. Mas o fato de não está enterrada, nem internada num hospício, as fazem pensar que estou bem? Não, não estou bem, não estou enterrada, mas me sinto morta, sem forças para seguir, para voltar a fazer coisas que eu gostava de fazer, pensar no meu trabalho, nada disso importa para mim. Tudo perde o sentido, o valor, a alegria. E como conseguir sorrir, ser feliz, voltar a viver sem meu filho perto de mim? Sem ele me ajudando, eu me orgulhava tanto de ver meu pequenininho, me ajudando a pegar um brinco embaixo do guarda-roupa ou da cama quando caía, pegando uma colher para mim na gaveta do armário, quando eu sentava à mesa e precisava de mais uma, ou até indo no meu guarda- roupa para pegar meu lençol quando estava deitada no sofá e sentia frio (às vezes, ele derrubava todos os outros lençóis que estavam lá e eu tinha que levantar para guardar-los). Mas ficava feliz com sua atitude tão gentil de ajudar a sua mãe e isso o deixava tão contente, quando eu o agradecia e dizia: que bom meu filhinho, já me ajuda, obrigada! Olhar esse lençol hoje me emociona tanto, ele deitava no sofá comigo, mas era muito calorento, e não queria se enrolar, mas quando eu falava que estava com frio, ele perguntava se eu queria o lençol e ia buscar, outras vezes eu que pedia para ele pegar. E ele ia, já sabia qual era o meu e parecia que queria me confortar com aquele lençol, fazer passar meu frio. E quando ele sentia frio ou queria um lençol para brincar e enrolar seus filhinhos (os bonequinhos Patati – Patatá) era uma briga, ele só queria o meu lençol. E eu dizia não pode, pegue outro, e ele respondia que queria aquele, era do meu que ele gostava, às vezes eu até me irritava, sem querer liberar o  meu lençol e Erinaldo dizia deixa, ele não vai sujar, e se sujar pega outro. Então eu liberava. Olho hoje para esse lençol e não consigo me enrolar com ele. Que falta me faz Paulo Gustavo aqui querendo brincar com o meu lençol e até sujá-lo se ele quisesse. Eu não o tenho mais, por isso até o lençol que eu fazia tanta questão de me enrolar, já não é mais o mesmo. Eu não sou mais a mesma, minha casa não é mais a mesma, nem meu lençol é mais o mesmo (eu não gosto mais dele, nem sei que sentimento eu tenho), só não o quero mais e nem deixo outra pessoa se enrolar com ele, porque ele era meu e de Paulo Gustavo.
Meus dias não estão sendo fáceis, desde a lembrança do lençol que ele gostava, a todos os todos os cantos da nossa casa e projetos pensados juntos: Comemorar nossos aniversários, ter uma menininha para cuidarmos juntos. E tantas outras coisas que ele dizia “é para nós três”, se referindo a ele, eu e seu pai. Hoje não existe mais “nós três”,  somos dois: eu e Erinaldo, para enfrentarmos tamanha dor e ausência do nosso bebezinho grande, como ele gostava que o chamasse, pois quando o chamava de “meu bebezinho”, ele argumentava: “não sou bebezinho não, mãe, já sou grande”. Eu continuava: ok, você já é grande, mas é meu bebezinho, então é meu bebezinho grande. E assim ele aceitava. Dizem-me para não brigar com Deus, mas ainda brigo muito com ELE, por não entender, nem aceitar que nós tinhamos que continuar nossa missão sem nosso bebezinho lindo e amável: PAULO GUSTAVO.